quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Objetivos


Antes de continuar a narrativa sobre Hina White, vou filosofar um pouco.



Qual é o objetivo disso tudo?

A população do planeta Terra é de... (calma que eu vou no wikipedia)... mais de 6,6 bilhões de pessoas. Então eu me pergunto: a historia de tanta gente tem importância?

Acontece que não. Até as pessoas que são bastante conhecidas não tem uma história que importe TANTO assim. 

Um amigo meu leu um livro do qual retirou um texto que eu acho que exprime, mais ou menos, um dos sentimentos que me leva a escrever isso:

Haviam tantas pessoas ali, e elas eram apenas uma minúscula fração de todas as pessoas do país. Fiquei pasmo outra vez, eu era apenas uma pequena parte das milhares de pessoas lá, e essas milhares de pessoas eram apenas uma ínfima parte do pais inteiro.
Antes disso, sempre me achava especial. Era feliz com a minha família, e sentia que as pessoas mais interessantes do mundo estavam na minha sala. Deste dia em diante, percebi que as coisas não eram assim. As experiências que tinha na escola, que achava as coisas mais divertidas do mundo, se transformaram em coisas que poderiam existir em qualquer escola. Para o país inteiro, isso não era nada especial. Quando descobri isso o mundo inteiro perdeu a cor. Escovar os dentes e ir dormir... então acordar e tomar café da manhã. Você poderia ver isso em todos os lugares.
Comecei a me sentir entediado quando percebi que essas coisas eram partes de uma vida comum, acreditei que se haviam tantas pessoas no mundo, deveria existir alguém que vivia de forma extraordinária, em uma vida cheia de excitação. Mas, por que essa pessoa não era eu?
Depois de me graduar no primário pensei nisso tudo. Então quando entrei no fundamental, decidi mudar. Queria que o mundo inteiro soubesse, eu não sou um garoto que iria sentar e esperar. Tentei acreditar que havia feito o meu melhor, mas tudo permaneceu como era. Agora estou no colegial, ainda desejando que alguma coisa mude...

H

A questão é parecida. Eu estou aqui, terminei o segundo ano do ensino médio, indo pro terceiro e prestes à fazer o vestibular (aproveitando a onda de melancolia, a garota Hina nem me perguntou, até o presente momento do ano da graça de 2008, mês de Dezembro, dia décimo, como fui na experimentação) e estou tendo uma sensação incômoda, parecida com a desse texto.

A faculdade, que só alcançarei daqui a um ano (um ano sofrido e cheio de sacrifícios) vai ser um marco na minha história, vai ser a minha Geodese. O curso em que vou entrar é perfeito pra mim, o Design de Animação. Por que eu adoro desenhar (por mais que eu não saiba desenhar). E criar histórias. Blá, blá, blá, blá...

O significado mais profundo do vestibular vocês vão conhecer depois, junto da história de Hina White. Voltêmos à questão - por que eu to escrevendo isso?

Quem vai ler, se eu não pedir?

Como um serzinho cuja importancia não difere da importancia dos demais, minha história não tem tanta importância assim. Como disse o sapo em firebelly: vou te contar uma historia que não é a minha, apesar de eu morrer de vontade de contar a minha.

Só que no caso eu estou contando a minha história, o lance é que isso sempre envolve outras pessoas - por mais isolado que eu seja e por mais que o meu círculo social seja, na verdade, um arame que se enrosca entre cravos (pessoas) de maneira torta e sem sentido, enrolando-se mais e mais em alguns deles e mal tocando outros - sempre vai envolver outras pessoas.

Acontece que continua não tendo importância, não tem brilho a não ser pra mim, não tem sabores, a não ser pra mim. Terá um brilho bonito e falso para aquele que ler, apreciar, mas não sentir na pele o que sinto e sentí - e quando sentir, ja será outra história isolada.

Assim como fez Dom Casmurro, quero atar pontas. Não sei quais pontas são essas, no entanto. Vou escrevendo, por assim dizer, o que vier á minha mente e ao meu coração.

Mesmo que ninguem leia e que ninguem venha a ler... Preciso escrever isso.


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